Há uma equipe de médicos que não trabalha pelas razões triviais. Trabalha pela ressurreição do sagrado elo feminino da mulher para com seus direitos, para com ela mesma. Sacralidade que se transmite no parto — pelos gritos de dor e amor — ao pequeno ser que chega, pequeno e frágil, ao desordenado mundo governado por adultos incautos.
A experiência de participar com ciência, do universo lancinante da dor de parir, auscutando a contração da alma da mulher, reinsere o homem em seu papel primordial. Recoloca sua perspectiva no endereço correto. É a liberdade de construir a cumplicidade entre clãns, que ali fundidos em nova alma, precisam de informação sobre o que é novo, sobre o que vem do outro lado, da outra família. Quando nos ecos revelados no grito mais profundo, o homem abstrai e incorpora a vivência ancestral guardada pela mulher — em seus endereços internos, inatingíveis à expressão cotidiana — ele reorganiza seu universo em concomitância ao parto, criando o suporte necessário à sua própria sobrevivência simbólica interna e portanto á sobrevivência do amor e da paixão em fina ressonância com o nascimento do amor incondicional, filial.
Podem usar o argumento que quiserem contra o fato; será murro em ponta de faca afiada: o parto maiúsculo e sagrado está sendo tirado das mulheres pela indústria do parto minúsculo, marcado e seco , rígido como a partida de poker que dois industriais de uma indústria qualquer jogam, depois de capitalizarem os gestos do nascimento, do empreendimento.
Jader Scalzaretto
"O parto natural acontece quando as forças do organismo bastam a si mesma para a ocorrência do nascimento da criança ... A mãe encontra-se emocionalmente equilibrada e consciente de todo o processo.”
Betina Bittar